Certo dia eu sonhei. Sonhei com uma árvore imponente que se mexia com os ventos fortes que ali surgiam. E suas folhas caíam, aquelas mais fracas, as mais velhas. Em meio a isso, uma folha, que ainda estava preza a um dos galhos da árvore, adquiriu consciência, uma individuação, e pensou. - As folhas estão caindo com o vento. E neste momento ela, a folha, sentiu o vento soprar mais uma vez. E pensou novamente. - Eu vou cair também! A folha sentiu um medo horripilante, coisa que ela jamais sentiu. O fato de saber que ela estava prestes a deixar de fazer parte daquele galho lhe causava um vazio apavorante. Neste momento ela clamou. - Ó vento, por favor, pare de soprar, pois eu estou preste a cair e vou morrer, não deixe que tal coisa aconteça comigo. E o vento sem dar ouvidos soprou mais forte, de modo que a folha junto com outras tantas caísse, mas antes de chegar ao solo, o vento soprou com uma intensidade tão grande que as folhas voaram longe. No auto a estranha folha pode ver coisas que ela jamais tinha visto antes, viu ao longe a majestosa árvore no qual ela fazia parte, viu o brilho intenso dos raios do sol que refletiam no rio que se aproximava. - Como tudo é lindo visto daqui, pensou a folha, me diga vento porque eu tenho que morrer? E o vento enfim respondeu. - Isso faz parte da vida. A folha indagou. - Como é triste o fim. - Triste, por quê? Perguntou o vento. É devido a isso que você está podendo contemplar essas coisas que você jamais imaginaria ver. - Mas o triste é justamente isso, saber o quão a vida é bela, e deixar de fazer parti dela é algo que me causa tristeza e sofrimento. - Mas quem disse que a morte é isso que você imagina ser? - E o que seria se não isso? E numa única frase, respondeu o vento. - A morte é só o começo.
Foi neste momento que o vento deu uma trégua, e a folha foi caindo lentamente, passou bem próximo do rio e posou em um ninho numa árvore às margens do rio.
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