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A benevolência da crueldade

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

            O vento soprava e as pétalas caiam uma a uma, a rosa  despetalada, lamentava-se por ter de perder justamente o que lhe tornava a mais bela entre todas no jardim. Não conseguia nem imaginar o que seria dela sem suas belas pétalas, a cada sopro, uma pétala era arrancada, se lançava na imensidão das cores vibrantes do jardim. Quando lhe restavam apenas cinco pétalas, a rosa inconformada com a crueldade do vento, indagou-o:
 _ Por que tira o que me há de mais belo?
_Não tiro o que há de mais belo em ti. Respondeu o vento.
A rosa não entendia aquela resposta do vento, ela sabia, afinal era visível, entre todas as rosas do jardim não havia nenhuma com pétalas mais belas, e de cores tão resplandecentes quanto as suas. Mas o vento era sábio, e sua resposta lhe causara muitas dúvidas, pensava – Haveria outra rosa com pétalas tão belas, ou pior, mais belas que as suas? teria algo ainda mais belo? - ela conhecia aquele jardim o suficiente para saber que não. Esperou o retorno do vento que veio ainda mais forte, e dessa vez lhe arrancara duas de suas pétalas. Desolada, a rosa perguntou:
_Por que és tão cruel? Por que sempre vem para levar meu esplendor?
Sabendo que a rosa não havia entendido sua resposta, o vento decidira ficar para explicar. Aquela ventania, como que num piscar de olhos se transformava agora em uma brisa fresca, que balanceava letamente as rosas do jardim. O vento após um longo tempo, finalmente respondeu:
_Em verdade, te digo, não arranco tua beleza, levo as abelhas o que realmente há de mais belo em ti. Tu achas que te conheces, mas se reparares bem, os outros te vêem mais que ti, tu não me vê, tu me sente. Todas às vezes, quando vinham as abelhas, achavas que tuas pétalas eram o motivo de tanta cobiça entre elas.
Estupefata, a rosa se confundia ainda mais, e logo perguntou ao vento:
_Se não era minhas pétalas que me faziam a mais bela, o que era afinal?
Com seu tom sereno o vento respondeu:
_Tua beleza não pode ser vista, apenas sentida.
            A brisa se transformou em ventania, e levou as duas últimas pétalas da rosa, juntamente com mais belo perfume de todas entre elas.
Imediatamente o que restava da rosa já não podia ser vista com tantas abelhas que a lhe circundar. 


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