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Modernidades múltiplas

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011



            É praticamente uma concepção absoluta a natureza da modernidade e suas respectivas características ocidentais, como sendo hegemônicas em relação ao restante do mundo. A própria Europa se diz ser a original germinadora do que viria a ser a modernidade em termos gerais, no entanto, muitos autores já concordam que outras sociedades há tempos haviam iniciado um processo de modernização. A china poderia muito bem ser citada dentre essas sociedades como sendo, talvez, a principal, já que antes do ocidente, desenvolvia as invenções ditas “modernas”, como: a pólvora, a imprensa, a bússola, o aperfeiçoamento da fabricação do papel e a introdução do papel-moeda. Contudo, não é apenas isso que poderia ser chamado de modernidade. O que ocorreu em determinadas sociedades como a china foram processos modernizantes que, de fato, tiveram suas limitações e repressões, culminado em um retardamento. Da mesma maneira se deu com o Japão, que também esteve nessa “vanguarda modernizante”, mas sobre um prisma centralizador do Estado, sustentado por um aparato ideológico que iria surgir posteriormente na Europa. Em verdade, o oriente detinha a estrutura ideal para embarca totalmente na modernidade e navegar em novas águas, podendo assim, se consolidar não somente como a precursora dos processos, como também da própria sociedade moderna, todavia, não foi isso que aconteceu.  

            A despeito de que o mundo Europeu veio a arriscar os primeiros passos tardiamente na modernidade, o avanço fixou-se na base estrutural, causando verdadeiras revoluções, sobretudo, no campo na ciência, e de forma progressiva, portanto, através de um novo grupo social que se formava as transformações foram acontecendo nos mais diversos âmbitos, acarretando, por conseguinte, numa sociedade orientada por  um novo paradigma, que tinha base em elementos progressistas; inovadores. Então o fato da Europa chegar primeiro na modernidade é por si próprio o ato de estabelecer um padrão a ser seguido pelas outras sociedades que posteriormente iriam iniciar ou reiniciar o processo de modernização, mas dessa vez com uma distinção, espelhando-se no êxito Europeu.

             Apesar das demais sociedades constituírem-se de uma perspectiva eurocêntrica em suas aspirações no que diz respeito a modernização, os caminhos  para conquistá-la se deu de maneira particular em cada uma delas, bem como a modernidade, de acordo com a autenticidade de suas culturas com efeito, obtivemos modernidades múltiplas. 

          É verdade que nas civilizações não ocidentais temos características distintas referente à modernidade “clássica”; ocidental. E se assim for, deveríamos chamar tais civilizações de modernas, afinal? Estariam fugindo do padrão pré-estabelecido pela Europa, então a dificuldade é encontrar uma solução para esse dilema. A saída seria tentar reencontrar perspectivas múltiplas da modernidade, acompanhar cronologicamente sua trajetória, mesclando as variadas contribuições de sociedades que estiveram contidas nos processos de modernização, ainda que de modo indireto. A noção de modernidade para encobrir a idéia de hegemonia do mundo ocidental sobre o oriental, poderia, dessa forma, ser substituído por uma espécie de modernidade global.

         Mas há uma ressalva nisso tudo, os ocidentais não veriam com bons olhos componentes orientais, e chegariam, logicamente, a uma aversão. Por isso mesmo, a quem defenda que a modernidade tida como sinônimo de ocidente, segundo teóricos como Kumar, é natural e sempre existiu. Em cada momento histórico houve, de fato, uma civilização hegemônica que tinha uma auto-concepção de centro do mundo, assim como: os antigos egípcios, Romanos, império Bizantino, Grã Bretanha, Europa e EUA. O que não se pode negar é que, realmente, a Europa foi à legítima criadora da modernidade tal qual é hoje, e isso graças a uma série de eventos que aqui podem ser sintetizados até, finalmente restar: O renascentismo, revolução científica, iluminismo e a revolução industrial.  Ademais, o ocidente continua sendo a principal câmera de compressão da modernidade. Por fim, modernizar-se, é o mesmo que ocidentalizar-se. O mundo oriental no instante em que tentar se tornar global também está se tornado ocidental, ou pelo menos criando padrões novos que não são nem puramente ocidentais nem orientais, e sim, globais.

           Quanto a Pós-modernidade, esta foi tão explorada em termos de discussões teóricas, que na atualidade, é facilmente aceita, fazendo do termo não mais perturbador ou excitante. Não é necessário agora insistir no nome um dia proclamado de forma desafiadora. O que está em evidencia paradoxalmente é própria modernidade, num contexto de globalização em que o impacto do sistema capitalista é mais poderoso do que nunca. A modernidade continua por ganhar novos tentáculos, e isso certamente gera um interesse teórico. Mas isso não significa a morte da pós-modernidade, pelo contrário, sua vitória, é tentativa de entender a modernidade a partir da conjuntura atual, visando revelar as faces ainda ocultas da mesma. A pós-modernidade se torna, de modo ainda mais claro que antes, uma forma de reflexão sobre a modernidade, uma modernidade consciente de si mesma e, nesse processo, revelando princípios que não era óbvios durante a verdadeira passagem para a modernidade e mesmo descobrindo os movimentos contrários à ela (Romantismo, Modernismo, ‘primitivismo”) dentro da própria.

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