CASTRO, Josué de. Geografia da fome: 10. ed. Rio de Janeiro: Antares, 1983. 361p.é certamente, ao lado de Geopolítica da Fome, o livro mais conhecido de Josué de Castro, com a primeira publicação em 1946.
O majestoso Geógrafo, sociólogo, médico, Antropólogo, filósofo, nutrólogo, escritor e acima de tudo humanista Josué de Castro, indicado três vezes para o prêmio Nobel: concorrendo para o Nobel de Medicina em 1954, e nos anos de 1963 e 1970, ao Nobel da Paz, combateu em todo sua trajetória como cientista a fome e as desigualdades sociais, mesmo isso lhe rendendo a ira da ditadura militar. Nascido em Recife, no dia 05 de setembro de 1908, foi ele quem realmente destampou a panela da miséria pra ver o que lá continha, como descreveu Francisco Julião. A vida desse grande humanista jamais pode ser separada de suas obras, portanto, ao longo dessa breve analise é preciso sempre ligar sua vida como cientista a sua vida como filósofo da fome. Reconhecido Internacionalmente por suas duas obras repercutidas em diversos países, Geopolítica da fome e a Geografia da Fome. Amigo de célebres figuras internacionais, como o filósofo Frances Jean-Paul Sartre, a escritora Simone de Beauvoir, os cineastas Luis Buñuel e Roberto Rosselini, entre outros. No Brasil amigo de intelectuais Ilustres como Arthur Ramos, Théo Brandão, Érico Veríssimo, Caio Prado, Jorge Amado, Di Cavalcanti e Cândido Portinari.A origem de seu interesse pelo tema da fome pode ser encontrada na sua infância, quando viveu boa parte dela em Cabeceiras - PB, conhecida como Capital do Bode, lugar onde menos chove no Brasil inteiro, é lá que começar a observar as desigualdades e a face perversa do mundo. Ainda menino escrevia, “Agora, quando o caboclo sai de manhã para o trabalho, já o resto da família cai no mundo. Os meninos vão pulando do jirau, abrindo a porta e caindo no mangue. Lavam as remelas dos olhos com a água barrenta, fazem porcaria e pipi, ali mesmo, depois enterram os braços de lama a dentro para pegar caranguejos. Com as pernas e os braços atolados na lama, a família dentro está com a vida garantida. Zé Luís vai para o trabalho sossegado, porque deixa a família dentro da própria comida, atolada na lama fervilhante de caranguejos e siris.”O seu célebre livro A geografia da Fome, teve sua primeira publicação em 1946, constitui um grande estudo de extensão e esforço continuado sobre os aspectos brasileiros da fome, através de leituras, viagens, observações e intuições surpreendentes. “Metade da humanidade não come e a outra não dorme com medo da que não come...” está talvez seja a melhor de suas frases que sintetiza está obra, fora do país, ainda hoje, é considerada pela crítica estrangeira como o maior estudo já realizado sobre o tema da fome. A escolha da geografia como método para seu estudo na elaboração da obra, é totalmente entendido, pelo fato que somente através dela, é possível produzir uma análise crítica-espacial, levando em conta questões não apenas de cunho alimentar, mais também políticos e sociais. O Brasil, foi escolhido para estudo, por diversos fatores, um deles porque o autor detinha de um conhecimento direto da realidade brasileira, porém deixando claro no seu dilema do pão (uma opção de política econômica apoiada mais no desenvolvimento humano), ou o dilema do aço (uma economia ancorada mais no desenvolvimento industrial), que o problema é mundial, indo muito além do conhecido subdesenvolvimento. Para Josué, o próprio, subdesenvolvimento é fome, então mesmo em um país desenvolvido, há subdesenvolvimento. Em suas próprias palavras isso pode ser percebido, “insisto na necessidade de esclarecer bem esta natureza de subdesenvolvimento. Não se trata de uma simples ausência ou insuficiência de desenvolvimento. Não: é produto negativo do próprio desenvolvimento. O desenvolvimento traz consigo, de um lado, suas riquezas, suas novas fabricações, de outro, seus dejetos. O terceiro Mundo está no lado dos dejetos.” Nas suas denuncias nesse seu livro - manifesto, Josué destaca o proibição desse tema, evidenciado nos pouquíssimos manuscritos encontrados para fonte de referência, outra em relação a ótica em que em vista a fome, em uma posição determinista culpando a natureza, as guerras, superpopulação ou vista com banalidade, como se a fome fosse inevitável. A geografia da fome, pode ser desdobrado em duas fases:
1) na fase preliminar, caracterizada pela análise
regional do problema da alimentação com
ênfase na elucidação dos hábitos alimentares,
construiu tipologias coerentes para uma definição
das áreas componentes do mosaico alimentar
brasileiro, retratado na Geografia da
Fome;
2) na fase complementar, orientada pelo entendimento
de que esses resultados poderiam
ser estendidos a outras regiões semelhantes do
mundo, reconheceu que a generalização das
descrições regionais prestava-se para comparações
analíticas.
No primeiro caso Josué, elabora uma reflexão sobre os hábitos, dificuldades e conseqüências alimentares de regiões distintas do Brasil, como a área amazônica, área do nordeste açucareiro, área do sertão do nordeste, as áreas de subnutrição: centro e sul, apesar de distintas em todas elas, o regime alimentar da população é pobre e falho, há notadamente uma escassez de vitaminas e de ferro que ocasiona outros tipos de problemas, estes sendo de saúde. No segundo caso trazendo a tona, uma universalidade do problema, uma busca através comparações espaciais analíticas para resolução ou no mínimo minimização do problema.
A verdadeira intenção desse combatente da fome, com essa sua grande obra, era demonstrar até que ponto o progresso econômico realizado até os dias de hoje, tem sido favorável e seu fracasso no sentido de melhorar as condições alimentares, destacando a negras machas de miséria no subdesenvolvido Brasil. A outra intenção seria, contribuir com este estudo, uma reformulação da política econômica visando converter em métodos de ação no combate contra a fome. Não podemos negar que ao longo dos anos, algumas medidas foram tomadas, graças a está magistral obra, como o restaurante popular, os programas de governo, Fome Zero, Bolsa família, Mesa Brasil, entre outros. Mais aqui ouso destacar uma crítica, a busca de Josué de Castro não era criar um laço de dependência com o homem-gabiru, assim retrato por Chico Science, na criação de um verdadeiro conformismo, e sim a busca incessante em estancar de vez fonte produtora de fome e desigualdade social, o capitalismo voraz.
0 comentários:
Postar um comentário